segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Astrónomo amador Português colabora na descoberta de dois planetas extrasolares


Em 1995, Michel Mayor e Didier Queloz, anunciavam ao mundo a descoberta do primeiro exoplaneta , o 51 Peg-b. Aqueles dois astrónomos do Observatório de Genebra, na Suíça, abriram caminho a uma nova área da ciência astronómica: a detecção de planetas para além do nosso sistema solar
No final de 1999 a comunidade de astrónomos amadores entrou nesta corrida quando um planeta, informalmente designado por Osíris, é capturado a transitar em frente da estrela
HD 209458, na constelação do Pégaso, a 150 anos-luz de distância. Foi o primeiro planeta extrasolar em que se captou a assinatura fotométrica durante um trânsito em frente da sua estrela. Estava aberta a possibilidade de detecção de planetas extrasolares, com recurso a equipamentos modestos, normalmente utilizados pelos amadores. O que é um Exoplaneta? Como se consegue detectá-lo? Estas duas perguntas pertinentes são as primeiras a ser colocadas quando falamos de planetas fora do nosso sistema solar. Um exoplaneta é um planeta que orbita a sua estrela, da mesma forma que a Terra ou Júpiter orbitam o Sol , a única diferença é que isto acontece fora do nosso sistema solar. Também designados por planetas extrasolares, a maior parte dos que já foram descobertos são gigantes gasosos, do tipo de Júpiter, mas apenas porque os meios de detecção existentes não possuem ainda a sensibilidade necessária para detectar planetas mais pequenos e que induzem variações de pouca amplitude na órbita da estrela em torno da qual orbitam. Existem vários métodos para conseguir detectar exoplanetas: Astrometria; Velocidade radial; Micro-lente gravitacional; Fotometria; Imagem.De todos estes métodos, o que mais tem contribuído para o actual número de 294 planetas extrasolares é o método da velocidade radial, em que, de uma forma simples, se utiliza o efeito doppler para medir as perturbações do movimento de uma estrela, provocadas pela presença de planetas que a orbitam e que com ela partilham um centro de massa comum. O método da fotometria, ou como é mais conhecido, do trânsito, é de extrema importância porque permite, em associação com o método de velocidade radial, determinar variados elementos físicos do sistema - a massa, o raio, o período orbital e a inclinação da órbita do planeta. A detecção do exoplaneta é obtida através da medição da diminuta variação de intensidade da luz da estrela, quando o planeta, na sua órbita, passa (transita) em frente da estrela, conforme se ilustra na figura. É precisamente a utilização deste método que permite aos astrónomos amadores, munidos dos seus modestos equipamentos, participar da busca por novos planetas extrasolares e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento científico desta matéria. A NASA , através do Space Telescope Science Institute, lançou um projecto, liderado por Peter McCullough e designado por "XO Project". Este projecto tem como objectivo a pesquisa fotométrica de planetas em torno de estrelas brilhantes. Numa tentativa de alargar a sua acção, foi criada uma "Extended Team" que disponibiliza aos astrónomos amadores dados sobre potenciais candidatos a exoplanetas, utilizando depois os dados obtidos pelos amadores para confirmar a existência daqueles planetas extrasolares. Aos 47 anos, João Gregório, astrónomo amador e membro activo do Grupo Atalaia desde 2004, associou-se áquela equipa juntamente com mais dez astrónomos amadores da Europa e EUA. Com recurso ao seu equipamento amador, constituíu-se num dos co-descobridores de dois exoplanetas recentemente confirmados pelo projecto à comunidade científica internacional. Para alcançar estes resultados foram necessárias muitas noites em que realizou milhares de imagens, na esperança de conseguir obter evidências do trânsito do planeta em frente da sua estrela, medindo as ténues variações da curva de luz produzidas por aquele trânsito planetário. Com muito trabalho e persistência, vê agora a sua dedicação ser reconhecida com a confirmação da existência de dois novos planetas extrasolares, o XO-4b e o XO-5b, ambos localizados na constelação do Lince, a uma distância aproximada de 960 anos-luz. João Gregório foi o primeiro a registar a curva de luz do XO-4b, um planeta 34% maior do que Júpiter com um período orbital de 4,125 dias, demorando 4h24' para transitar em frente da sua estrela. Este é um excelente exemplo da contribuição séria e científica que os astrónomos amadores podem prestar no avanço do conhecimento da astronomia. Resta esperar que os resultados agora obtidos confirmem a continuidade de uma profícua e continuada participação da comunidade de astrónomos amadores em estreita colaboração com os profissionais, realizando o seu trabalho em prol do desenvolvimento da ciência.

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